terça-feira, 22 de outubro de 2019

A Procissão das Almas



A Procissão das Almas é um fenômeno conhecido em vários países da Europa e América Latina. É um cortejo com espíritos de gente que já morreu que passa pelas ruas a noite segurando velas ao som de murmúrios sinistros e cantos fúnebres.



Nos países do Nordeste da Europa, a Procissão das Almas acontece em novembro, onde os entes que já se foram retornam caminhando pela floresta para visitar seus familiares que como oferenda, os deixam pão, leite ou bolos em suas mesas antes de dormir, e alguns até se comunicavam com estes, acompanhando-os na refeição.



A procissão dos Mortos existe desde a época dos antigos celtas, e é sempre descrita da mesma forma pelas pessoas que a conseguem ver: Uma longa procissão de pessoas translúcidas vestindo mantas brancas e muitas vezes encapuzadas, segurando velas, balançando sinos e até correntes.



O cheiro da cera de vela derretida é como um aviso para a procissão dos mortos que tem como missão passar pela igrejas das cidades e vilas, cemitérios, florestas e estradas, e nas casas que existem pessoas doentes ou alguém que irá morrer de velhice em breve.



Em alguns lugares a procissão é liderada por um fantasma chamado Estadea, ela é um espectro feminino muito alto e magro, com olhos e língua flamejantes, que quando não está na frente da procissão, corre pelos campos a noite. A morte também é considerada como primeiro fantasma a aparecer na procissão, e no Brasil é dito que o Exu Tata Caveira é quem a conduz as almas de volta para luz na porta do cemitério.



Há quem acredite que existe uma maldição na Procissão das Almas, que por muitas vezes é guiada por uma pessoa viva empunhando uma cruz e (ou) um caldeirão com água benta, tal pessoa é escolhida quando fica acordada na quaresma, e não resiste a curiosidade de espiar o fenômeno noturno. Quando acontece, uma das almas da procissão vem até a pessoa e lhe entrega uma vela, e depois o indivíduo não consegue se lembrar do que viu na noite anterior, mas passa a acordar toda última sexta-feira do mês para guiar o cortejo espectral, até que outra pessoa seja curiosa o bastante para trocar de lugar.


Dizem que as pessoas que conseguem ver o fenômeno são aquelas que ao invés de serem batizadas com óleo da crisma foram batizadas com o óleo de unção aos enfermos, e para que consigam escapar de serem o líder da procissão, devem fazer símbolos consagrados como sinal de chifre ou figa, além de desenhar o Selo de Salomão com giz no chão até a procissão passar.



A lenda mais famosa conhecida no brasil sobre a Procissão das Almas é aquela que conta sobre uma senhora que ouviu um estranho canto acompanhado por um cheiro de cera de vela forte depois da meia noite. Ela poderia pensar que o canto fúnebre viria de um enterro, mas tão tarde da noite resolveu abrir a janela para ver, e ficou horrorizada com a cena, um grupo de pessoas encapuzadas cada uma atrás da outra, segurando uma vela numa fila enorme pela rua. Uma delas chegou perto da mulher e lhe entregou 3 velas, e pediu que as guardasse até o outro dia. Depois de apagá-las, ela deitou e dormiu, ainda assustada. Na manhã seguinte ao acordar, observou o lugar em que guardou as velas, mas percebeu que não eram velas e sim 3 ossos, um de uma perna de defunto, uma canela de uma criança morta e um pedaço de uma caveira.

Depois de muito rezar ela deixou as velas na janela onde as recebeu, e de noite no mesmo lugar recebeu uma visita espectral que dizia a seguinte frase:

Que isto lhe sirva de lição, pois a Procissão das Almas não é para ser vista pelos vivos

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